Um bem escrito artigo no Globo procura demonstrar que desde aquele dia fatídico,em que, supostamente, o goleiro Moacir Barbosa falhou no segundo gol do Uruguai, os goleiros negros são minoria no futebol brasileiro. Haveria, e isso pode ser verdade, um racismo estrutural entranhado na sociedade brasileira, que associou a falha à cor da pele, vindo daí uma desconfiança com jogadores negros que vestissem a camisa nº 1 de qualquer equipe.
O artigo é muito bom, mas na sua essência e conclusões há pecados mortais que merecem reprimenda.
Perdão pela ousadia, mas não acho que a cor da pele impeça qualquer goleiro de chegar à seleção brasileira, nem se confiará menos nele por dotes que se resumem à cor da sua pele. Não se discute aqui a existência ou não do racismo na sociedade brasileira. Mas não se acredita, também, que um goleiro fantástico, profissional competente, não ganhe a camisa 1 por causa da cor da sua pele.
Barbosa carregou um fardo pela vida inteira. O fardo do segundo gol que viabilizou a vitória do Uruguai e permitiu que os braços de Obdúlio Varela erguessem a Jules Rimet; Não foi o fardo de um goleiro negro que falhou, mas de um goleiro que, junto com mais dez jogadores, perdeu uma Copa do Mundo que já estava no papo, e dentro do seu próprio quintal.
Entender que por esse motivo não mais existem goleiros de cor negra aqui ou acolá é relacionar alhos com bugalhos. Não dá, a conta não fecha. O racismo estrutural mencionado pelo artigo do Globo não tem a força de impedir o surgimento de novos talentos que joguem com a camisa nº 1. Se aparecer um camarada retinto, fera, que feche o gol, o meu Botafogo contrata na hora, sem lembrar 1 minuto sequer do 16 de julho de 1950.
Que venham novos Barbosas, pois sempre terão uma camisa nº 1 esperando por eles!
Rony Lins!