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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Tragédia grega...
Eu acho que Eurípedes anda passeando pelas ruas de Atenas e ninguém percebeu. A tragédia dos gregos não tem fim. A imprensa de hoje noticia que 200 mil gregos fraudaram os cofres públicos.
E seguem os detalhes tristes e perversos. Famílias de aposentados, por anos a fio, reclamaram do governo benefícios em nome de pessoas mortas, enquanto, por outro lado, muitos gregos falsificavam a própria renda, rebaixando seus salários para receber das autoridades ajuda em dinheiro.
A fraude atinge a 2% da população grega, que já sofre com cortes brutais de salários, aposentadorias e postos de trabalho.
Uma tragédia de bom tamanho e Eurípedes ali, encostado numa esquina, tomando um cafezinho. Autor venerado de tragédias, veio conferir de perto mais uma, enorme e dolorida, que corta sem anestesia a carne e a alma do povo grego, por certo embasbacado, ele, Eurípedes, por não ter escrito uma dessas na sua época.
Construído nos últimos 20 anos, o sistema de bem-estar social da Grécia era visto como bondoso demais, papai noel demais, sendo acusado como um dos principais responsáveis pela dívida que verga o país. A Grécia pagava ao seu povo bem mais do que a arrecadação do Estado podia sustentar.
Os gregos sempre vibraram com uma tragédia. Mas, na Antiguidade, o sofrimento varria os corações, as almas, e surgiam as traições fomentadas por ambições desmedidas, com espetáculos formidáveis, que verdadeiramente desnudavam a natureza humana e traziam ao palco a sombra que acompanha o homem desde sempre.
Agora, a tragédia mexe com o bolso do povo, o órgão mais sensível do corpo humano. Se Eurípedes for descobeto numa esquina qualquer de Atenas vai ter que pagar caro pelo café e sair correndo pra não tomar uma surra da multidão enfurecida...
Abraço!
Valeu!
Rony Lins
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