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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

HOBBES E A ÁGUA DE COCO


Impressionantes os números que circundam e colorem a greve da polícia militar no Estado da Bahia, já em andamento desde a semana passada.

Em 5 dias  48 assassinatos, lojas saqueadas, shows cancelados, assaltos em penca pra todo o lado, furtos e roubos rigorosamente praticados dentro da diferença que lhes empresta o Códio Penal Brasileiro. O comércio  fechando às 5 da tarde, pessoas assustadas  dizendo na televisão que andam pelas ruas com a proteção de Deus, pois a segurança é zero, e por isso mesmo algumas aulas foram suspensas.

É inacreditável o poder da bandidagem e a sedução que ela joga sobre alguns seres humanos que poderiam estar fazendo  outra coisa, pelo menos não atrapalhando já que não querem ajudar de jeito nehum.

Alías, existiu  um senhor no século XVII que já dizia naquela época que sem o Estado, sem a porrada oficial, legal  e legítima, sem a restrição de uma parcela das liberdades e faculdades individuais em benefício da coletividade, do todo, o homem vai à falência, desce aos escombros, a coisa não anda e vira um circo de horrores, o homem se torna lobo do homem e passa a viver no estado de natureza, no qual, usando termos de hoje, ninguém é de ninguém, e vale tudo porque não tem ninguém pra vigiar os nossos deslizes, as nossas violências e os nossos crimes.

É tirar a polícia das ruas e a sociedade sai do ritmo normal e não sobrevive um mês.

Thomas Hobbes já dizia isso no século  XVII, ao afirmar que a sociedade  tem que aproveitar o medo que todo mundo tem de ser atacado por qualquer um para limitar a liberdade individual em benefício de um corpo político chamado Estado, que protegerá todos ao mesmo tempo, como compensação pelas perdas sofridas nos interesses individuais. Parece que Hobbes já adivinhava muito antes dos grevistas de Salvador os perigos que rondariam a capital baiana com a greve da sua polícia militar.

E no dia 1º de fevereiro deste ano, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, na abertura do ano judiciário, com a erudição que lhe é peculiar, assentou que uma sociedade  que aceita o enfraquecimento do seu Poder Judiciário,  a pressão para apequená-lo e à ordem jurídica estabelecida, caminha  para a barbárie e  para o suicídio.

Penso ter divisado a figura de Hobbes  ali pela praia do Farol, em Salvador, tomando uma água de coco. No canto da boca, se não me engano, um risinho de quem sabe das coisas, ou que vê suas previsões se confirmarem quatro séculos depois de realizadas.




Pelo que se vê na Bahia, antes mesmo que a pressão sobre o judiciário se intensifique, como teme e prevê o seu Presidente, a barbárie já deu as caras e anda fazendo das suas.
Bastou recolher o cassetete que as coisas desandaram de forma vergonhosa.

Parece que o homem, como dizia Hobbes, quando se vê solto, despreza a própria liberdade, macula a sua própria dignidade e sai rosnando pelas ruas.

E quem vai encarar um lobo  solto, zangado, de garras afiadas, rosnando bem na sua frente?

Fala sério...

Boa água de coco sr. Thomas...


Valeu!

Abraço!


Rony Lins e Johny Bruno

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