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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Por onde andam?
Por onde andam os meninos engraxates com suas caixas de madeiras sobre os ombros, surgindo de onde menos se espera, na oferta simples e simpática de deixar os seus sapatos prontos pra qualquer reunião importante, daquelas que não decidem absolutamente coisa alguma?
Por onde andam esses profissionais tão jovens que carregam no coração e na mente histórias engraçadas e tristes, algumas cicatrizes que nunca se fecharão, lembranças que ja´dariam uma biografia antes mesmo do início da vida.
Desapareceram das ruas, dos bares, das portas dos shoppings, dos pontos de táxi, das calçadas movimentadas, da frente dos supermercados e das portas centrais dos colossais edifícios que abrigam administração pública e grupos empresariais, numa mistura que sempre garantiu o pão e o leite do dia seguinte.
Histórias desfiadas no mesmo ritmo do pano suxo de graxa, uma batucada surda que vai ficando mais triste à medida que os sapatos se embelezam e se alegram, num contraste que retrata o dia a dia desses jovens profissionais. Alguns estudam e lutam pelo dinheirinho dos lápis e cadernos, outros engraxam pra comer alguma coisa.
Os rostos, na maioria, são tristes e desesperançados. Não adianta olhar para o brilho dos sapatos à sua frente, porque suas figuras insistem em não aparecer neles refletidas. São jovens embotados, nublados, sujos de graxa e muito cansados, mas que combatem o bom combate e ainda não entregaram os pontos.
Desapareceram do mapa da Capital Federal, como formigas exterminadas por algum vermífugo até então desconhecido.
Fico pensando, ao não vê-los mais, e sentindo a falta que fazem, que das duas, uma: ou sentiram o desaquecimento do mercado e desistiram, já que todo mundo, endoidecido com a vida que se leva hoje em dia, com preocupações endurecendo o pescoço e não permitindo a rotação da vista em direção aos sapatos, não tem tempo, pois, pra pensar no brilho deles, ou arrumaram coisa melhor pra fazer, garantindo de forma mais efetiva o pão e o leite do dia a dia.
Boa sorte a todos os engraxates do mundo!
Valeu!
Abraço!
Rony Lins
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