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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Contando um conto...

A vida não é assim...


Ficou sabendo que isso existia, figurante de figurante, no set de gravação, aquele corre corre sonhado, gente famosa passando do lado, dava até pra tirar uma casquinha. O amigo já figurante antigo não dissera nada, procurou ajudá-lo e
ajudou, conseguiu um lugarzinho não ao sol propriamente dito, mas à sombra de uma palmeira , dentro de um restaurante esperto, um casal famos almoçando no enredo da novela, e ele, tremenda emoção, regava a palmeira e saía...

Ficou sabendo pelos mais experientes,que, no jargão deles, figurante é o que fica na cena, almoça ou janta do lado, mas fica uns minutinhos pelo menos e figuranate de figurante era como ele, regava uma palmeira em questão de segundos e saía, ou mesmo passava rápido pela cena e desaparecia sem deixar vestígio algum.

Pouco importava essa enorme diferença.

Conseguiu entrar numa gravação e chegar perto da diva das oito, linda, sexy, charmosa, gostosona a dar com pau, sonho distante aproximado por uma tela fria e glamurosa de televisão, amor platônico e eletrônico, sem chance alguma.

Daí a resolução tomada , de repente, muita loucura mas único jeito, idéia matutada por anos. Entrar pro sonho, figuração pura e simples, ainda que trabalhar no meio fosse uma lembrança amarga pela falta de realização.

O amigo já figurante ajeitou tudo. Arrumou vaga, novela, horário e até pagamento pelo dia de trabalho,incluindo , de quebra, um sanduíche de sardinha com coca-cola quente.

Depois da gravação, no dia mais esperado da sua vida, a diva passou do lado, mordiscando um super sanduíche natural, com uma montanha de salada espanhola, regada à azeite da mesma nacionalidade, um suco de laranja amarelo canário que aumentava a sede dele só de olhar.

Do lado dela o galã do almoço da cena recém gravada, meio fresco no julgamento dele.

No que o galã deu uma paradinha pra amarrar o tênis ele sentiu que a hora chegara, uma palavrinha presa há anos na garganta tinha que ser trovejada pra mudar a sua vida entre o antes e o depois do papo com a diva.

Dois passos e armou o vocabulário ensaiado mil vezes. A diva não pareceu assustada com a intimidade,louraça super escolada e já prevenida contra qualquer tipo de assédio.

Ele percebeu e tentou dizer que não era nada daquilo.

A diva, então, arremeteu com tudo e disparou o tiro de bazuca que acabou com a carreira do figurante de figurante:

- Mas você ainda insiste, meu chapa? Você não serve nem pra regar uma palmeira, hem? Olha, da próxima vez, pelo menos, põe água no regador, porra!


Abraço

Valeu

Rony Lins

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