E hoje estréia, como prometido, a coluna JOGO RÁPIDO, sempre com 3 perguntas a um profissional renomado, sobre assuntos que estejam na ordem do dia. A coluna é quinzenal e a primeira entrevista ja está no Blog. Leiam as palavras da professora Rosana Lins Alves da Cunha, Mestre em Psicologia Social, colaboradora do Blog e com vasta esperiência no trato com menores em risco social.
1) Como dizem as boas línguas, o problema do menor é o maior?
Em primeiro lugar é bom esclarecer que não se usa mais o termo menor infrator, embora a sociedade e a maioria das autoridades insistam em fazê-lo. Nos referimos como criança ou adolescente em situação de risco social e pessoal, ou mais atual, em situação de ato infracional.
O problema é imenso, talvez um dos maiores porque envolve não só a educação, saúde e segurança, mas condições sociais, econômicas , afetivas e cognitivas muito comprometidas e inimagináveis de se alcançar e resolver nos dias de hoje, com políticas e intervenções públicas disponíveis. É necessário um movimento planetário de solidariedade e consciência do problema.
2) Uma família desestruturada é a maior responsavél pelo menor em risco social?
Uma família é desestruturada se suas relações assim o forem e não porque não representa a clássica família nuclear, pai, mãe e filhos. Não tenha dúvida de que aí está o começo de tudo. Depois o problema se amplia com uma escola ruim, desinteressante, a exclusão de vivências saudáveis, de relações de afeto, de oportunidades, porque a escola mente quando não garante de forma alguma o que o menino deseja. Junte-se a isso um pai e uma mãe massacrados pelas dificuldades, salvando-se um e olhe lá...
3) No cuidado ao menor em risco social o Brasil tem esperança?
A esperança é a última que morre, mas no Brasil, neste campo da criança e do adolescente em situação de risco, a situação é dramática e nos leva ao desencanto porque as ações são mínimas perto do problema e há uma dificuldade em lidar com as pessoas que não acreditam na recuperação ou recolocação desses jovens, e que realizam, inclusive, um movimento de desmantelamento das boas idéias e ações. Ainda há a cultura da violência pela violência, no caso punições mais severas sem uma contrapartida com o pessoal que lida com esses grupos nos "centros
de reclusão", com as famílias, com os grupos sociais mais próximos e com as crianças e jovens. Há, na realidade, um abandono moral.
É isso aí, gente. Palavras sábias e profundas que deveriam mexer com o coração e a vontade das autoridades.
Dentro de uma quinzena tem mais.
Valeu!
Abraço!
Rony Lins
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