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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Esse cara sou eu...
Leio a notícia e absorvo, resignado, a culpa que não é de segundos , terceiros ou quartos. A culpa é do primeiro, ou seja, é minha mesmo, sem direito ao consolo em ombro amigo, já que nos tempos atuais, de alta tecnologia e velocidade, não há ombro que perca tempo servindo de apoio ao sofrimento merecido de quem quer que seja. Leio a notícia, para mim inacreditável:
"Cariocas aderem ao aplicativo para celular que concentra em uma rede social fotos dos pratos tiradas pelos próprios clientes nos restaurantes.
E mais.
Os pratos chegam à mesa, mas a refeição demora um pouco para começar. Antes de pegar os talheres, o cliente saca o celular, fotografa cada pedido e, em seguida, posta os registros na internet - pouco importa que a comida esfrie. Ao deparar com essa cena em algum restaurante carioca, não estranhe: trata-se de uma prova de que o Foodspotting chegou ao Rio. Voltado para quem gosta de fotografia e gastronomia, o aplicativo serve de atalho para uma rede social cujo objetivo é compartilhar os itens de cardápios.
Lançada nos Estados Unidos em 2010 e apta a rodar em Iphone, Android e Windows Phone, a ferramenta reúne 3,5 milhões de usuários no mundo, com mais de 2,5 milhões de pratos retratados. O Brasil, por sua vez, está entre os dez países de maior atividade no Foodspotting, com São Paulo na primeira posição e o Rio na segunda.
Alguns dos aplicativos de maior sucesso no mundo, como o Instagram, prosperaram porque têm foco em um único objetivo, afirma, por e-mail, a americana Alexa Andrzejewski, que aos 28 anos é uma das idealizadoras do programa e CEO da empresa. "Por isso tivemos a idéia de nos concentrar apenas em localização e compartilhamento de pratos, aproveitando o que há de mais funcional em outras ferramentas.
Desenvolvido no mais importante polo de tecnologia do planeta, o Vale do Silício, na Califórnia, o Foodspotting já totalizava 1 milhão de downloads no iTunes antes mesmo de completar um ano de funcionamento."
Com todo o respeito pelo Vale do Silício, templo sagrado dos deuses da tecnologia da informação, berço das maiores cabeças que projetam todas as horas de todos os dias novos aplicativos que mudarão nossas vidas, com todo o respeito, repito, a última coisa que eu faria ao iniciar um jantar com a gata sonhada, um vinho planejado e estudado à minha frente, os pratos pedidos, e as entradas, aquelas comidinhas que abrem a imaginação do casal, a última coisa que eu faria no mundo seria puxar um celular para fotografar o meu prato e o dela. E a penúltima coisa a pensar numa bela refeição com a gata dos sonhos seria a localização e o compartilhamento dos pratos.
Perdão, talvez eu seja um troglodita que só pensa em comer e esqueça os benfícios proporcionados pela tecnologia, até em momentos como esse, do jantar com a gata dos sonhos.
Eu sou um troglodita tecnológico, então. E ao me deparar com tais detalhes, a foto e o compartilhamento de uma refeição, reconheço que estou perdido, sem eira nem beira, num mundo meio gelado, varrido de cabo a rabo pela tecnologia de ponta.
Agora, num jantar sonhado, você baixa um aplicativo e em vez de olhar nos olhos dela, você fotografa, localiza e compartilha o prato que você vai degustar em seguida, ou seja, mergulha de garfo e faca no Foodspotting.
Olho no celular e no prato, troca de informações com o mundo todo sobre o peixe com molho de maracujá na mesa `a sua frente.
Eu sou de outro tempo. Eu prefiro degustar o vinho e trocar com ela, apenas com ela, sussurros dengosos sobre o sabor de tudo, sobre o rumo do nosso próprio caso.
Eu jamais utilizarei um aplicativo como esse, com todo respeito pelo Vale do Silício. E sinto que o preço a pagar por essa ousadia é enorme e doloroso. A solidão é implacável e a tecnologia embota os sentimentos à minha volta. Falar com quem e sobre o quê?
Todos de olho nas telinhas e celulares, digitando desesperados compromissos que caberiam na agenda de depois de amanhã.
Dancei e fiquei pelo caminho.
Mas no meu jantar só tenho olhos para o bom vinho e degusto o prato sem pensar em compartilhamento instantâneo. A tecnologia ficou de fora e a segurança do restaurante tem ordens expressas de barrar a sua entrada.
Por um tempinho de nada, na mesa, no momento sagrado da refeição, eu quero os celulares , Ipads e Notes, desligados, e olhos nos olhos de quem eu estou tentando conhecer. E dizer pra ela com todo carinho: sabe quem escolheu esse prato pra você? Esse cara sou eu...
Valeu!
Abraço!
Rony Lins
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