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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pedra no sapato...




A revista Retrato do Brasil, edição de outubro de 2012, nas bancas neste exato momento, estampa na capa a foto do Ministro Joaquim Barbosa, acompanhada do título  O HERÓI DO MENSALÃO, e traz como reportagem principal um outro lado da Ação Penal 470, pouco examinado pelo grande público até o momento, qual seja, de que muitas decisões e condenações surgidas durante o julgamento não encontrariam respaldo nas provas constantes dos autos, as quais, muitas vezes, no dizer da Revista, sequer foram examinadas.

A Revista  afirma que o Ministro Relator armou para o público sua "historinha"e, com ela, rebaixou o nível do debate que deveria ter sido feito sobre o grande escândalo político.

No caso de Henrique Pizzolato, por exemplo, um dos réus do Mensalão,  Diretor de Comunicação e Marketing do Banco do Brasil, condenado por 4 crimes, a reportagem deixa claro que pode ter sido uma decisáo errada, em todos os casos.

O Ministro Relator  do Mensalão, diz a revista Retrato do Brasil,  insistiu em dizer que Pizzolato autorizava sozinho os adiantamentos de recursos para a DNA, desvio de dinheiro público, desconsiderando, ele, Ministro, todos os depoimentos em juízo de dirigentes do BB que trabalhavam com Pizzolato, e que testemunharam em sua defesa.

Um Sr. Vasconcelos, funcionário do BB por 25 anos,  prestou depoimento para dizer que no Banco do Brasil não existem decisões individualizadas. Todas as decisões são por comitê. Então, a primeira decisão é da divisão, depois vai para a gerência executiva, para a diretoria e, dependendo do valor, pode subir ao Conselho Diretor do Banco.
 
E ao ser perguntado se Pizzolato poderia assinar e autorizar sozinho qualquer verba de publicidade do BB, da Visanet, etc, respondeu que as decisóes são todas colegiadas e nem o presidente do Banco toma decisões isoladas. O regime colegiado  foi instituído no BB em 1995, quando o Banco foi reestruturado, durante o governo FHC.

Esses fatos, trazidos à lume pela Revista, se constituem na tal pedrinha no sapato. Pode não impedir a caminhada e o sapato até ser elogiado pelo seu cromo alemão, mas estraga o passeio e incomoda bastante.

São vidas em jogo e uma reportagem dessas tira as lantejoulas das roupas e deixa tudo negro, um tom pesado, da mesma cor das togas que decidem vidas.


Valeu!

Abraço!

Rony Lins

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