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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tempos piores



No último domingo, no final do jogo entre Coritiba e São Paulo, no estádio Couto Pereira, Curitiba (PR), uma torcedora de 13 anos, fã do jogador Lucas do São Paulo, pediu, aos prantos, a sua camisa, para guardar como recordação. Uma menina, vivendo de forma plena, uma emoção plena de adolescente. Foi cercada, ao lado do pai, por alguns marmanjos da torcida local, boçais sem noção  de qualquer coisa, e que têm no domingo, nas tardes de domingo, com a bola rolando, o objetivo maior de suas vidas mequetrefes.

A cena foi vista por todo o País, a televisão não deixa escapar nada, e se a polícia não agisse com presteza as feras torcedoras poderiam desencadear uma tragédia. As mesmas feras, no mesmo Couto Pereira, quem não lembra, quando o Coritiba caiu para a segunda divisão?

Os tempos são outros e piores. O futebol não merece os boçais que tentaram agredir a menina, justamente porque em outros tempos, o próprio futebol já escreveu histórias belíssimas.

Conta a lieratura sobre o assunto, e é fato comprovado, que após o domingo fatídico de 16 de julho de 1950, quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai em pleno Maracanã, a cidade do Rio de Janeiro era um velório completo e bem arrumado.

Dizem que no domingo à noite, o grande capitão da seleção uruguaia, Obdúlio Varela, saiu pelas ruas de Copacabana e entrou  em um bar onde a tristeza era grande e tinha gente chorando. 

Reconhecido pelos torcedores sentou em uma das mesinhas, pediu uma cerveja, e passou a consolar a galera, tecendo elogios à seleção brasileira, e que muitas vitórias ainda estavam por chegar.

Acabou aplaudido e abraçado e só conseguiu deixar o bar quando o dia estava amanhecendo.

Hoje em dia os tempos são outros e piores, usado o futebol como válvula de escape pra todo o tipo de frustração. Imaginem o grande Obdúlio, hoje, entrando num bar de Curitiba depois da vitória do seu time sobre o time da casa...

Nem mesmo uma garota de 13 anos seria poupada de levar uns safanões da turma que não pensa na segunda-feira.

Valeu!

Abraço!

Rony Lins

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