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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Contando um conto...

A vida não é sempre assim...


Comentou com o colega no intervalo do café. Quinze minutos entre uma aula e outra pra colocar o noticiário em dia, da política ao futebol, passando pelas finanças, carros, excesso de trabalho  e... e, é claro, as mulheres. Pouco tempo, sempre reclamaram, sempre  algum assunto pendurado no ar, como uma palavra entalada na garganta, louca pra sair por aí aos berros.

Professores os dois, Constitucional e  Civil, tudo a ver na doutrina e na vida, intercãmbio útil e bom pra ganhar dinheiro.

- Porra, Lídio, aquela loura da primeira fila, Lídio, ela  tá me enlouquecendo, eu sinto,amigo,  a qualidade da aula, desse jeito, vai pro brejo.

Lídio, o do Direito civil, ponderou com acerto. - Nâo olha, porra, não olha pras coxas dela na hora do artigo tal da Constituição, Silvério. Simplesmente não olha, pensa na Lei maior,cara,  é uma questão de controle visual, além de moral e cívica, simples assim. - Lídio era um bom amigo, mas sem experiência semelhante. Nunca tivera um par de coxas saradas e morenas escancaradas na primeira fila da sala de aula, convidativas, sugestivas, empurradas e aprumadas por um olhar de diaba, pra lá de sacana.

- E como é que ela vai nos estudos? - Lídio era uma criança mesmo, a pergunta escancarava uma ingenuidade  de boi manso pastando num domingo à tarde a beira de uma estrada deserta.

Silvério jogou o outro no chão da realidade. - Vai mal, quase zero nas três provas e não passa de ano de jeito nenhum!

-Então tá resolvido, Silvério, pode olhar à vontade pras coxas dela, você já sabe que ela não passa de jeito nenhum, qual o problema meu amigo?

- Ela me convidou, Lídio, ela disse até o local e a hora. E só tem uma condição...

-Se você for ao encontro ela passa de ano, o desempenho dela sobe de repente,  é isso?

Lídio continuava  mergulhado num poço de ingenuidade e não ajudava de jeito nenhum.

- E agora, Lídio, a questão é ir ou não ir, tô numa dúvida cruel, ela é escultural, a mulher mais gostosa da faculdade...

- Olha o juramento, Silvério - Lídio tentou brochar o pensamento do amigo e evitar futuras encrencas. - Você tá vendendo uma nota na sua matéria. Isso é inconstitucional, cara, e Direito Constitucional é coisa séria, Silvério, não dá prá...

- Ela disse que o desempenho dela vai melhorar, é só dessa vez.-  O sino bateu.

 Esvaziaram as xícaras de café  e retornaram, cada qual, ao seu martírio profissional.

Estavam no fim do ano, tudo acabando pra começar da mesma forma no ano vindouro.

Três dias depois Lìdio ia passando e viu a discussão alta e furiosa entre a gostosona e o amigo, só os dois na sala de aula, o pau comendo no mau sentido.

A escultura passou por Lídio de cara amarrada, meio torta, já não tão gostosa, e a porta bateu com um estrondo.

E aí, o que foi isso? - Lídio estava lívido sem motivo, a discussão o deixara meio zonzo, mas ao mesmo tempo curioso pra saber do acerto de fim de ano.

- Foi reprovada e não gostou, - simples assim, disse Silvério, já fechando a pasta velha com as provas da turma inteira.

-Como assim? - Lídio parecia com raiva do amigo por ter resistido àquela tentação, uma provação que o Direito não merececia.

-Não é o que você está pensando,  Lídio, nada disso. Nós fomos aos finalmente, com hora e lugar marcado. Mas durou pouco, o desempenho dela debaixo dos lençóis foi muito ruim. Levou três na prova, a mesma nota merecida pelo rendimento na cama.
E ela se  zangou quando eu disse que ela precisava estudar mais, levar fé noslivros, porque se fosse depender  da cama ela não passava de ano.

Aí o tempo fechou, Lídio.

Os dois riram baixinho, se abraçaram, e depois lembraram que ainda dava tempo para um café....


Valeu!

Abraço!


Rony Lins

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