A imprensa do mundo inteiro noticiou, entre triste e aparvalhada:
"ATRIZ PEDE AJUDA À FUNDAÇÃO FELLINI
A atriz sueca Anita Ekberg, de 80 anos, teve de pedir ajuda financeira à fundação de Frederico Fellini nesta semana. Estrela do cinema conhecida por sua participação em A DOCE VIDA, de 1960, Ekberg necessita de ajuda financeira desde que quebrou o fêmur em uma queda, e teve de deixar sua casa depois de um incêndio provocado por ladrões. " Não é elegante revelar essas coisas, mas a senhora Ekberg sofre de uma verdadeira falta de liquidez", disse ao jornal italiano La Stampa, de Turim, Massimo Morais, um administrador nomeado pela Justiça que pediu, em nome da atriz, os subsídios de emergência da Fundação Fellini."
Fico triste e sem ação ao ler uma notícia com esse teor sobre a magnífica Ekberg. Sim, a grande Anita Ekberg, que filmou, com Marcelo Mastroianni, entre outros, A DOCE VIDA, de Fellini, linda e deslumbrante, que deixou milhões de garotos como eu, à época, atacados de insônia por vários dias, sonhando com aquela mulher etérea, uma louraça de milhares de talheres como diriam os adultos daquela época.
E que inveja do Mastroianni ao abraçar a loura nas águas da Fontana di Trevi, no centro da esplendorosa Roma. Anita, a mulher unanimidade, a beleza encarnada na forma humana, a volúpia traduzida em arte, a mulher desejada e invejada pelo mundo inteiro!
A vida é uma merda.
Aos 80 anos, sofrendo dificuldades financeiras, machucada física e moralmente, atacada por ladrões e tendo a casa incendiada, pedindo ajuda à Fundação Fellini para sobreviver.
Os deuses e deusas de antigamente incutiam medo nos humanos, que procuravam agradá-los com os mais variados rituais, isso é de sabença geral. As deusas de hoje, pelo contrário, são atacadas por meliantes violentos que, além de machucá-las e expulsá-las de suas casas, rasgam com as mesmas armas indecentes os grandes filmes do cinema e mancham a beleza derramada por eles sobre as platéias do mundo inteiro, filmes, que, no entanto, permanecem invioláveis em nossas memórias. E por que mantemos, por enquanto, intactas, tais memórias, tais momentos sublimes do cinema permanecem integros, e as deusas permanecem poderosas , respeitadas e amadas em nossas mentes e almas.
Anita , deusa loura de Fellini e Mastroianni, deusa do todos nós que amamos o cinema, você não merecia pedir pela sua subsistência, o que mostra que a vida é mesmo uma fábrica de inesperados, uma merda imprevisível.
Anita Ekberg, no seu drama particular, ensina a todos nós que a vida, definitivamente, não é doce...
Abraço!
Valeu!
Rony Lins
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