Do escritor IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO no Estado de São Paulo de hoje, 13.12.2012, sobre o começo do ano e seus fogos e badalações obrigatórios:
"Precisamos de que para sermos felizes? Não sabemos, não temos idéia. Ou temos várias idéias. Nunca somos inteiramente felizes ou felizes o tempo inteiro. Se fôssemos, seríamos pasmados. Naquele 31 de dezembro, enquanto a chuva bateu forte lá fora, e fizemos a inevitável contagem regressiva, pensei em Daniel Piza e o AVC que o conduziu num instante e me levou a refletir no que para mim significa ainda estar aqui, quando um AVC poderia ter me levado há 15 anos. De tempos em tempos recebo uma mensagem: A VIDA É FRÁGIL, NÃO SE ESQUEÇA. Por que fui avisado? A cada ano penso nisso. Não tenho resposta, ainda não acendi essa luz interior. São essas perguntas que nos conduzem pela vida tentando solucionar o mistério? Em cada primeiro de janeiro acordo com esta perplexidade e feliz por estar vivo. Só quem se aproximou e não ultrapassou essa fronteira limite tem idéia do que é a intensidade do viver."
Essa passagem é maravilhosa e profunda. Também carrego minhas perguntas e o sono já não é o mesmo 62 anos depois. A fragilidade da vida dá pra sentir a cada dia, a cada hora e a cada minuto, em cada esquina da existência. A pergunta, às vezes, expressa uma dúvida banal que acende no seu corpo questões transcendentais: vale a pena mesmo acender foguetes na passagem do dia 31? Justamente por não esquecer a fragilidade da vida, como recomenda o Ignácio, economizo alguns tostões sem comprar bosta nenhuma de foguete nenhum. A pergunta que não quer calar é: porque continuo aqui e se vale mesmo a pena prorrogar essa labuta insana num Planeta mais doido ainda... Talvez eu não fique tão feliz como o escritor acima porque falta chegar mais perto da fronteira limite e voltar a tempo de reconhecer a beleza da vida em toda a sua intensidade...
Valeu!
Abraço!
Rony Lins
Nenhum comentário:
Postar um comentário